quinta-feira, 1 de março de 2012

Mijos e mijões

Ok, não podemos fazer xixi na rua, muito menos cocô, está claro. Caso alguém seja flagrado se aliviando em vias públicas, que seja conduzido à delegacia. Não questiono. Mas pergunto: o que fazer com os donos de cachorro que diariamente fazem xixi e cocô na rua? Cachorro pode?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Paciência tem limite

Assistindo ao RJ TV hoje na hora do almoço, me revoltei com uma observação feita pelo repórter Edimilson Ávila a respeito da revolta da população que mais uma vez não conseguiu chegar ao seu destino porque novamente a Supervia se mostrou ineficaz. Sob o calor infernal do verão carioca, tentando chegar em vão ao trabalho, cansados do descaso do governo em todas as frentes - e hoje principalmente em relação aos trens -, os usuários se revoltaram e partiram para a depredação. Foi então que o repórter disse que "depredação é inaceitável". Imagino que a população, aos olhos da Rede Globo, ou ao menos do referido repórter, deva, dia a dia, ser maltratada, humilhada, desservida - em silêncio. Aqui entre nós, que outra forma de externar sua revolta os usuários da Supervia poderiam ter? Deveriam eles, uma vez mais, se contentar com as promessas que nunca se cumprem e com simples desculpas? Ou seria melhor, como um bom povo ordeiro, engolir em seco, abaixar a cabeça e seguir adiante? Paciência tem limite. Como um anônimo disse na mesma matéria, todo dia eles passam pelos mesmos problemas nos trens lotados, com atrasos, sem ventilação, etc. Parece que hoje foi a gota d'água. Dia de fúria. Os usuários da Supervia cansaram. Será que para o Edimilson Ávila a população deveria fazer uma passeata até o Palácio Guanabara para, além de não ser recebida por nenhum representante nem do governo nem da Supervia, apanhar da PM, que estaria lá para evitar qualquer tipo de desordem? É claro que o vandalismo não é a melhor opção, mas paciência tem limite. Quando se é desrepeitado diariamente, quando se ganha um salário desumano, se mora mal e é achincalhado pelo poder público todo santo dia, chega uma hora em que o caldo entorna. Mas há uma luz no fim do túnel. Parece que para a Olimpíada de 2016 o problema estará resolvido. Mas teremos que esperar até lá, mesmo porque o secretário de transportes do Rio de Janeiro, Júlio Lopes, afirmou que problemas como o de hoje podem voltar a acontecer. Enquanto a população não desfruta de um transporte público de qualidade, que sofra ordeiramente.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Fidelidade

Não sei o que está acontecendo, se é que alguma coisa está a acontecer. Afinal, em mais um ano as chuvas vieram e inundaram, como se ninguém soubesse que isso iria acontecer. E como ocorreu ano passado, vai ficar tudo na mesma, num hiato de um ano até as chuvas do próximo verão. Nossos problemas, pluviais ou não, são basicamente os mesmos, nossos velhos conhecidos, nas mesmas e carentes áreas de sempre, como educação, saúde, transporte público, segurança, corrupção, impunidade. Até prédios começaram a vir abaixo no centro da segunda maior e mais importante capital do país. E nada de acender aquela veia indignada em mim a motivar algum post a atualizar minimamente este editorial. Pois é, não sei o que está acontecendo, se é que alguma coisa está a acontecer...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Comentário desimportante

Estava aqui pensando comigo que o ex-ministro Carlos Lupi ter reassumido a presidência do PDT na realidade pegou mal para o partido, afinal de contas é um partido com longa tradição política no país, com nomes como Leonel Brizola dentre os seus correligionários. Para piorar ainda mais, ele declarou que a prioridade do partido agora é a reeleição de Eduardo Paes para a prefeitura do Rio de Janeiro. Bom, PDT, Leonel Brizola, Lupi, Paes... e eu preocupado com a tradição do partido...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mais uma vez o senhor Bolsonaro

É difícil para mim ouvir falar em intolerância sexual simplesmente porque é demasiado absurdo ainda hoje ter alguém que julgue e condene outro ser humano apenas por ele ser gay. A sexualidade de ninguém me diz respeito; pouco importa se fulano gosta de outro homem, se beltrana tem tesão em outra mulher, e se o ciclano gosta de ambos os sexos. Honestamente, o que que eu tenho com isso? E mais: a vida homossexual de alguém, por que cargas d'água, desqualifica esse alguém?? Quer dizer que uma pessoa, super competente no que faz, extremamente qualificada, honesta, eleitora e vacinada, depois de assumir seu homossexualismo vai perder todas as suas qualidades apenas porque...? Pois é, por que o quê?? Também não consigo entender tamanho rebuliço que o chamado kit gay ainda causa. Podemos até questionar se a escola é o espaço mais adequado para se tratar o assunto, se não seria mais producente que cada família educasse seus filhos de modo a ensinar o óbvio: não devemos ter qualquer tipo de preconceito, seja ele racial, sexual, religioso etc., mas daí a condenar de uma maneira ferrenha o kit gay porque ele seria responsável por "desvirtuar" nossos alunos e transformá-los em gays em potencial é demais, não é não? Será que em "nome de Deus" é preferível assistirmos agressões a homossexuais desde que a moral e os bons costumes permaneçam intocáveis? A família brasileira estaria com seus dias contados se olharmos outro ser humano, igual a nós em tudo, mas que tem desejo pelo mesmo sexo, com respeito, acreditando ser ele embaixador do diabo?
Tudo isso porque, na capa do JB, o senhor Bolsonaro mais uma vez é manchete. Em discurso inflamado, cobra da presidente Dilma explicações sobre o kit gay, responsabilizando-o se nossas crianças todas virarem gays por conta dessa má influência. Acho que mais do que ficar esperneando por causa de um moralismo babaca, tem gente que faria muito melhor em sair do armário e tirar, assim, esse peso das costas.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Cansaço

A lembrança mais remota que eu tenho sobre política remonta à abertura política do país e à campanha Diretas Já. Ainda criança, não tinha real dimensão do que estava acontecendo, mas sabia que era alguma coisa muito importante. Isso porque meus pais acompanhavam tudo o que acontecia com duas televisões ligadas na sala em canais diferentes para não perder detalhe algum. Sentia-me importante assistindo à votação indireta que elegeria Tancredo Neves nosso novo presidente após anos de ditadura militar, e ouvindo com atenção os comentários de meu pai.
Alguns anos depois, a eleição que primeiro recebeu minha participação, apesar de ainda não ter idade para votar, foi a que Lula saiu derrotado pelo Collor. Com quinze anos de idade, lamentei não poder votar no Lula, mas militei como pude a seu favor. Eu e todas as pessoas que, na minha opinião, tinham bom senso.
Já na faculdade, dei aulas voluntariamente durante cinco anos em presídios porque acreditava que a educação era uma arma poderosíssima para mudar não apenas a realidade dos apenados, mas a realidade de toda a nossa sociedade. Assim, ingressei em um projeto político, porém não partidário, coordenado pela Regina Brasil, que visava, mais do que ensinar o conteúdo programático aos detentos, levar cidadania e reflexão aos alunos. Foi lá, inclusive, que conheci o Marcelo Freixo, então professor de História.
Foi ele, aliás, quem recebeu meu único voto nas últimas eleições. Para os demais cargos, não tive dúvidas quanto à anulação. Minha mais que curta atuação política já se cansou e se desiludiu com os nossos políticos de um modo geral. Sei que não se pode generalizar, que não dá para dizer que todos os políticos são corruptos, safados e filhos da puta - o Marcelo Freixo, a meu ver, é prova disso -, mas, convenhamos, fica difícil. Como fica difícil também entender como "eles" continuam sendo eleitos. Muitas vezes, dependendo de meu humor, acredito que a população merece passar pelo que passa, afinal, foi ela que colocou no poder nossos governantes. O problema, claro, é que a minoria se dá mal por tabela.
Faço essa retrospectiva porque estou cansado. Cansei de votar, de acreditar, de ter esperanças. Honestamente, acho meu país uma vergonha. Não tenho nenhum orgulho de ser brasileiro, ao contrário, sinto vergonha. É um país lindo etc. e tal, mas e daí? Já não deu tempo para sua população querer deixar de ter vantagem em tudo? Já não é hora de olharmos para o lado e pensarmos no bem-estar coletivo? Até quando vamos seguir acreditando que se a farinha é pouca, meu pirão primeiro? Penso que na realidade nossos governantes espelham o que é nossa sociedade. Não é muito difícil encontrar, em qualquer esquina, um brasileiro que não pense primeiro em si. Acho que é por isso, inclusive, que quando alguém devolve o troco, ou uma quantia grande em dinheiro que não lhe pertence, passa a ser manchete de todos os telejornais. Ora, por quê? Ele não fez mais do que sua obrigação. São fruto dessa mentalidade tacanha nossos políticos, via de regra.
Tenho certeza, falando de nossos políticos, que se o Brasil tiver decência e vergonha na cara e diminuir os custos que cada deputado dá aos cofres públicos, Brasília ficará entregue às moscas. Apenas aqueles que fazem a coisa certa pelo motivo certo continuarão atuando, sem querer mamar nas tetas do Estado. O problema é óbvio: os nossos ilustres deputados e senadores terão a dignidade de cortar suas regalias? Não. E assim seguimos todos, a maioria precisando trabalhar para honrar seus compromissos, e a minoria, porque está a "serviço do povo", com inúmeros privilégios. Há 36 anos ouço que o Brasil é o país do futuro. O problema é que o futuro nunca chega. Não tenho mais o ânimo e o entusiasmo de meu pai, que ainda luta e acredita em dias melhores; eu cansei.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O que dizer?

Todo Brasil, e em especial a sociedade civil fluminense, se solidarizou com as cidades serranas atingidas pelas tempestades que as arrasaram no início do ano. Nada mais natural para qualquer pessoa do que estender a mão para quem perdeu tudo e necessita de ajuda. Palavras como solidariedade, ajuda, caridade, apoio, altruísmo saíram dos dicionários e foram postas em prática. Tudo em prol do próximo que, atingido por um catástrofe natural, não tinha a quem recorrer. Mas, infelizmente, nem todos compactuam desse esforço filantrópico. É claro que não estou a cobrar que todos façam doações, que ponham a mão na massa e trabalhem como voluntários desinteressados sempre que alguém necessite de ajuda. Não, não é isso. Mas o que dizer do prefeito de Teresópolis? O Sr. Jorge Mário Sedlacek teve seu mandato finalmente cassado após desviar verba destinada à reconstrução da cidade. Não sei quanto ganha mensalmente o prefeito de Teresópolis, mas tenho certeza de que é suficiente para se viver com conforto e dignidade, sem necessitar recorrer a atividades espúrias. Depois de se eleger pelo voto direto da população de Teresópolis, de se comprometer a trabalhar em benefício de sua cidade, os recursos que deveriam amenizar o sofrimento das vítimas das chuvas de janeiro engordavam a conta bancária do senhor Jorge Mário. Não esqueçamos seu nome: Jorge Mário Sedlacek.